Jalal Maghfour, MD, MS, David M. Ozog, MD, Jessica Mineroff, BS, Jared Jagdeo, MD, MS, Indermeet Kohli, P and Henry W. Lim, MD — Journal of the American Academy of Dermatology, 2024
O que é
A fotobiomodulação (PBM), antes chamada de terapia a laser de baixa intensidade (LLLT), é uma forma não invasiva de fototerapia que usa luz vermelha (620-700 nm) e infravermelho próximo (700-1440 nm). Foi descoberta em 1967 por Endre Mester, que observou o estímulo ao recrescimento capilar após irradiação com laser de rubi de baixa potência.
Mecanismo de ação
- O principal alvo celular é a citocromo c oxidase (COX), localizada na mitocôndria, que absorve fótons de luz vermelha (~665 nm) e infravermelho próximo (~810 nm).
- A ativação da COX modula três elementos-chave: ATP (energia celular), espécies reativas de oxigênio (ROS) e cálcio intracelular.
- Essas mudanças ativam vias de sinalização (IGF, PI3K/Akt, NF-kB, TGF-β), levando à proliferação, migração e diferenciação celular.
- A luz vermelha e o infravermelho também promovem liberação de óxido nítrico (NO), importante para regulação vascular e cicatrização.

Resposta bifásica (Lei de Arndt-Schulz)
A PBM tem efeito dependente da dose:
- Dose baixa a moderada → efeito estimulante (proliferação celular, cicatrização).
- Dose muito alta → efeito inibitório (usado, por exemplo, no tratamento de cicatrizes/queloides, inibindo fibroblastos).
Fontes de luz
- Lasers: luz monocromática, coerente e colimada.
- LEDs: luz não coerente, permitem tratar áreas maiores, têm menor custo e são mais usados em dispositivos domésticos.
Aplicações demonstradas
- Cicatrização de feridas: aumenta fatores de crescimento (EGF, FGF, VEGF), acelera migração epitelial e contração da ferida via TGF-β/SMAD.
- Dor: reduz sinalização nervosa, aumenta betaendorfinas e citocinas anti-inflamatórias (IL-10).
- Inflamação: reduz IL-6 e TNF-α, diminui prostaglandina E2 em pacientes com artrite.
Segurança
- Geralmente segura e bem tolerada; eritema transitório é o efeito adverso mais comum.
- A luz vermelha, diferente da luz UV e azul, não causa dano ao DNA, mesmo em altas doses.
- Pacientes com pele mais pigmentada (fototipos mais altos) podem ter maior sensibilidade térmica e risco de hiperpigmentação/bolhas em doses muito altas.
- Dispositivos LED domésticos podem representar risco de dano retiniano, sendo necessários mais estudos de segurança a longo prazo.
Conclusão
A PBM é uma terapia promissora, segura e cada vez mais acessível ao público, mas ainda são necessários mais estudos para entender totalmente as vias inibitórias em altas doses, já que dispositivos de uso doméstico estão se popularizando rapidamente.
Referência Completa
Photobiomodulation CME Part I: Overview and mechanism of action
J Am Acad Dermatol. 2024






